Sou antiraças

Não Sou apenas antiracistas, sou antiraças Não reconheço a raça Vermelha Amarela Branca Preta Azul ou qualquer outra cor com que queiram def...

Rosa Solitária

Havia na floresta, uma flor que nunca havia sido vista por nenhum humano. Só os animais daquela enigmática mata a conheciam. Alguns por ouvir falar, outros por admirá-la de longe.

Muito bela, de um vermelho vivo e formas exóticas, a flor exalava um perfume amargo e assim repelia qualquer inseto ou ave.

Daí deduzir que o que tinha de beleza era compensado na estranha mistura de encantar e repelir os que dela tentassem se aproximar.

Suas hastes longas e também exóticas tinham grandes espinhos, e por serem venenosos, nenhum animal chegava perto dela.

No entanto, de tão solitária, a rosa tinha pouco tempo de felicidade. Os dias passavam sem novidades, então ela começou a ficar completamente triste, e assim os dias iam seguindo.

Mas, por ironia, apesar da tristeza tamanha que a consumia, ficava cada dia mais bela ainda.

Longe, mas por ela podendo ser ouvido, um beija-flor que passava perguntou se ela não queria ninguém por perto porque, mesmo triste, ela continuava bela.

A rosa respondeu que a beleza e perfeição eram da sua natureza e logo trariam para ela o que mais queria.

- E o que você espera, posso saber ?

- Espero alguém à minha altura, perfeito e belo como eu, sem defeitos.

E, calado, o pássaro voltou a voar pelo céu.

Um dia, passando pelo mesmo jardim, viu a rosa murcha a se despedir da vida. Toda beleza sumira e seus olhos não mais acalentavam esperança.

Murchou até ficar seca e feia e por fim morreu.

Triste, o pássaro concluiu :

- Pobre rosa, não conheceu a amizade e sim a ilusão da perfeição que para ela foi uma jaula e não a libertação.

- Não existe perfeição e sim a arte de convivermos harmonizando virtudes e defeitos.
Bérgson Frota
(Escritor)

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