Cidadania é dar sorriso ao banguela

por Paulo Henrique Amorim

Navalha

No importante ensaio "Brizolismo – estetização da política e carisma", de João Trajano Sento-Sé, da Editora FGV, 1999, há um capítulo de título "O sorriso do banguela".

Começa assim: "Em publicação de campanha solicitada à biografia de Brizola, José Arthur Poerner fez a seguinte observação: 'os comícios do Brizola são o lugar de maior concentração de desdentados por metro quadrado do Brasil' ".

Daí, Sento-Sé parte para analisar um componente central da "ideologia" brizolista: a opção pelo pobre tinha a sua estética – "a figura expressiva e perturbadora do riso ou grito sem dentes, a boca escancarada do banguela, que representa o homem destituido da … cidadania e dos bens em que ela implica."

"Tratar o brizolismo …  significa em grande parte … entender a metáfora do banguela, símbolo e síntese da massa de excluídos da sociedade brasileira e do próprio brizolismo."

"Dar dente ao banguela" talvez seja uma forma de entender a passagem do trabalhismo brizolista ao de Lula e Dilma.

Mas, aí já fica complicado demais.

Vamos esperar o sociólogo Fernando Henrique Cardoso e seus mervais discípulos explicar num daqueles notáveis ensaios no Estadão e no Globo.

Onde nunca faltaram dentes, especialmente os caninos.

 





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