Agora não tem mais problemas. Viva o rombo!


POR FERNANDO BRITO ·

Sim, é isso mesmo.

Você ouviu durante anos que o importante é não gastar mais do que se arrecadava, este era "o dever de casa" dos governantes.

Superávit, superávit, superávit: fora do tripé não há salvação.

Mas agora, R$ 70 bilhões de reajuste à nata dos servidores, R$ 50 bilhões de renúncia a dívidas dos Estados e ainda vem um pouco mais, porque falta o "evita mico" do Rio Olímpico e "vamos acertar isso" do Olimpo de São Paulo. Uns R$ 50 bilhões, no barato, só este ano.

O "rombo" deste 2016, R$ 170 bilhões, é saudável, coisa tão boa que já se fala em repetir no ano que vem…

Do nada esquerdista blog do Fernando Dantas, do Estadão:

Subitamente, parece que o risco político encolheu-se para o fundo do palco, e o mercado passou a tolerar bastante bem fatos que provocariam choro e ranger de dentes no governo anterior: um déficit fiscal imenso no ano, com perspectivas de se replicar em boa medida em 2017, reforçado pelos aumentos acertados com o funcionalismo, em geral, e o Judiciário, em particular, e tudo isso tendo como contrapartida duas iniciativas – o limite do gasto e a reforma da Previdência – que têm todos os ingredientes que nas últimas décadas provocaram resistência e rejeição ferozes por parte dos parlamentares.

Imagina Dilma espalhando aumentos e dando moratórias a dívidas com a União, justo no momento em que a arrecadação afunda!

Mas agora pode, não tem problema, como se o dinheiro fosse brotar do nada, cair do céu, feito chuva…

É óbvio que não.

Já se viu o porque de a equipe econômica ter "descoberto" que o "rombo" seria bem maior do que o previsto na gestão Dilma, nas contas do então ministro Nélson Barbosa: não era, mas passaria a ser.

O tamanho da "folga" com que as finanças públicas estão sendo tratadas é diretamente proporcional ao arrocho que sofrerão depois de consumado o objetivo de entronizar definitivamente Michel Temer no Palácio do Planalto.

Isso é cristalino e todos eles – e a imprensa – o sabem.

Até porque não há condições políticas de aumentar impostos e muito menos qualquer sinal que a ponta da arrecadação vá ajudar, crescendo junto com a atividade econômica. Ao contrário, ainda vai continuar caindo, embora já tenha caído tanto que as taxas serão menores, porque estamos na parte baixa da curva, mas bem longe de sua viragem.

Ou alguém acha que em seis meses ou pouco mais os Estados recuperarão suas finanças sem promoverem massacres funcionais e nos serviços que prestam à população? E, no plano federal, nem mesmo do teto de aumento zero dos gastos se chagará. Será redução real, mesmo, impiedosa, dos gastos sociais.

A frase da qual tanto gostam os neoliberais, popularizada por seu guru Milton Friedman, de que que não há almoço grátis, aqui vai se refletir no preço do jantar em que o Brasil será servido pelo governo Temer.

P.S - O pré-sal será o prato principal.

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