Noutras palavras, votar pra que?

Somos governados por todos que você não elegeu

POR FERNANDO BRITO

A Folha noticia que  Michel Temer "convidou para um almoço no Palácio do Jaburu nesta quarta-feira (12) o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do partido. Também participaram do almoço o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Gilmar Mendes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde tramitam cinco ações contra a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer".

Imagina-se o que deve ter sido o que se devorou neste banquete: a soberania nacional, a independência dos poderes, o espírito republicano e,num festim antropofágico dos "macunaíma" brancos,  carnes, ossos e espirito do povo brasileiro

O povo brasileiro que não votou neles para dirigirem o país.

Diz a Folha:

"Foi uma conversa de velhos amigos. Foi uma conversa geral, uma avaliação de momento. O pessoal está otimista com o bom resultado da eleição, da aprovação da PEC [que limita gastos públicos] para refazer a situação muito difícil do país", afirmou Gilmar Mendes, segundo quem FHC disse que era preciso "ter rumo, que as pessoas precisam sentirem uma liderança".

É isso, uma convescote entre velhos amigos determinado o (des)caminho em que o Brasil seguirá.

Contrário ao que apontou o voto popular em 2014, pouco importa.

A receita para nos salvar vem do homem que nos quebrou, três vezes, ante o FMI.

O golpe não se marca pela forma, mas pelo conteúdo.

Você e eu somos uns idiotas: achamos que a maioria escolhia os caminhos do país.

Ou nem tão idiotas, porque percebemos, como eles percebem, que a vontade popular foi outra, a  que eles usurparam.

Reuniram-se para delinquir, não contra a lei, mais contra o espírito da lei, que é a vontade popular.

Como tal, portanto, sujeitar-se-iam ao nome de quadrilheiros, não o fizessem de público, sem uma palavra de critica de nossos "democratas".

Para os quais a vontade popular é legítima, desde que  seja a sua própria.

A sua, caro amigo eleitor, não vem ao caso.