A realidade e a aparência


Por mais que o acusado pareça culpado, sempre há uma possibilidade de ele ser inocente. 
Uma manhã como as outras, ele vai lá tirar o leite da vaquinha. Quando o balde está pela metade, a vaca se mexe, chuta o balde e derrama o leite.
O vaqueiro pega duas cordinhas, amarra a pata traseira esquerda da vaca num mourão à esquerda e a pata direita noutro à direita. Pega o balde, senta de novo no banquinho e recomeça a ordenha. Aí a vaca dá uns passos pra trás e, com a pata dianteira, derruba o balde.
Ele pega outras duas cordinhas e faz a mesma operação. A vaca fica ali parada, de pernas abertas, presa pelos pés e mãos aos mourões, quase imóvel.
O vaqueiro senta no banquinho, começa de novo a ordenha. Aí a vaca derruba o balde com o rabo, que era comprido.
Ele pega outra cordinha, passa o rabo por cima do lombo da vaca e o amarra com a cordinha no chifre dela. Pronto, agora o animal não se mexe mais.
Antes de recomeçar, o vaqueiro sente vontade de urinar.
Bota o instrumento pra fora – e nesse momento sua mulher abre a porta dos fundos e vê a cena: a vaca naquela posição, ele com aquilo na mão... e até o banquinho.
Nada a acrescentar, Laguardia. 

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