Emagreci 75 quilos só com dieta e exercícios

O turismólogo Mauro Estrêla, de 25 anos, conta como perdeu, em menos de dois anos, quase metade de seu peso – sem remédios ou cirurgia

EM DEPOIMENTO A NATHALIA TAVOLIERI

"Tem coisa melhor do que comer? Eu sempre gostei, desde pequeno. Era um menino gordinho, mas nada fora do normal. Comia bem e parte das guloseimas extras era compensada pelo esporte praticado na escola. No começo da adolescência, a coisa desandou assustadoramente. Com o fim das aulas de Educação Física, parei com o pouco exercício que fazia. Só estudava, dormia e, claro, comia. E muito. Em um único almoço, por exemplo, comia grandes porções de macarrão, arroz, feijão, macaxeira frita, purê e três tipos de carne. De sobremesa, sorvete, bolo ou os dois. À tarde, lanchava biscoitos recheados com refrigerante e milk-shake. Isso não era só aos finais de semana ou em uma data especial. Enfiava o pé na jaca todos os dias.
Mauro enfiava "o pé na jaca" todos os dias (Foto: Arquivo pessoal)
Passei de gordinho a obeso mórbido. Quando ia à casa de amigos, atacava a geladeira e a despensa deles. Como me conheceram gordo, estavam acostumados com o meu peso. E me agradavam com comidas gostosas. Nos passeios de carro não podia sentar na janelinha, só no meio – para não desequilibrar o veículo. Se a viagem era de avião, os passageiros faziam cara feia quando percebiam que eu sentaria ao lado. Meus amigos me chamavam de Nhônho (em alusão ao amigo gordo do Chaves, personagem da série homônima da televisão mexicana) e faziam piadinhas. Eu levava na esportiva. Apesar do excesso de gordura, não deixava de ir à praia, a festas e baladas – lembro que, numa delas, quebrei a catraca da entrada. Aos 22 anos, havia passado da casa dos 160 quilos. Dizia que não queria emagrecer, que estava bem daquele jeito.
Parei para pensar quando minhas calças número 62 não entravam mais. Os modelos tinham que ser feitos sob medida ou comprados no exterior. Eram feios e sem corte. Vaidoso, decidi que não queria mais engordar.
Comecei a reduzir as porções do que estava acostumado a comer. Só com a diminuição, perdi 20 quilos em oito meses. Percebi que poderia existir uma versão magra do Mauro. Foi aí que tracei a meta de emagrecer pra valer. Cortei sal, doces, frituras e farinha branca. Como havia frequentado dezenas de nutricionistas e endocrinologistas ao longo da vida, já sabia o que fazer. Só faltava força de vontade. E agora eu tinha.
Mauro passou a malhar todos os dias - sem desculpas (Foto: Arquivo pessoal)
Não voltei a médicos, não tomei remédio e não fiz cirurgia. Meu emagrecimento foi natural. Perdia quatro quilos em uma semana, dois na outra ou até nenhum. Não pirava nem passava fome. Com a ajuda do meu irmão, que é educador físico, passei a caminhar pelas ruas de Teresina, cidade onde moro. Confesso que, por vergonha, enrolei para me matricular na academia. Hoje, não saio mais dela. Malho uma hora e meia todos os dias. É sagrado. Se estou viajando, levo corda, faço flexões no quarto do hotel ou saio para bater perna pela cidade. Se passo mais de dez dias fora, procuro uma academia nos arredores. Em dias atarefados, acordo mais cedo ou durmo mais tarde para malhar. Levo sempre uma mochila com roupa de ginástica dentro do carro. Não tem desculpa. Se vou a uma festa, levo minha marmita light ou, dependendo da intimidade com o anfitrião, peço para fazer uma saladinha. Em casa, gosto de ir para a cozinha e preparar meus pratos. Não como os salgadinhos fritos de que tanto gostava, como coxinha, nem sob tortura. Encaro como se fossem uma droga. Já bolo caseiro não abro mão. De vez em quando, não resisto a uma fatia do de laranja ou de nata com um cafezinho.
Em menos de dois anos, Mauro conseguiu perder 75 quilos (Foto: Arquivo pessoal)
Minha alimentação saudável mudou a de todo mundo lá de casa. Meu pai perdeu dez quilos e minha mãe, sete. Eles sentem muito orgulho da minha conquista. Lutaram a vida toda para que eu emagrecesse. Em um ano e oito meses perdi 75 quilos. Tenho 1,84 metros e cheguei a pesar 85. Aí já estava magro demais. Queria ficar forte. Intensifiquei a malhação e ganhei 10 quilos de massa magra. Meu percentual de gordura é 13%.
Mauro (Foto: Arquivo pessoal)
Se eu disser que foi difícil, estaria mentindo. Ver no espelho o reflexo do meu esforço era minha motivação. Hoje, não sou mais o gordo da balada. Visto roupas descoladas, estou bonitão. No sexo, estou mais disposto e meu condicionamento físico melhorou 100%. Posso sentar em qualquer lugar, inclusive na janelinha. Não tenho ‘projeto verão’, ‘carnaval’ ou do tipo ‘tanquinho definido’. Meu projeto é ser saudável para o resto da vida. Brinco que é o ‘projeto caixão fit’."   
Mauro Estrêla vai à academia todos os dias (Foto: Arquivo pessoal)


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