O balé desengoçado de Aécio

por Sérgio Saraiva 
Seria trágico, se não fosse cômico assistir o balé desengonçado que dança o candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014, Aécio Neves, às voltas com as denúncias de que teria recebido dinheiro da Odebrecht via “caixa dois”.
O demônio ri de seus de seus serviçais.
Voltemos a dezembro de 2014, para assistirmos à dança do capeta desde seu início.
No mesmo dia 18 de dezembro de 2014, em que o então presidente do TSE, Dias Toffoli, afirmava que não haveria terceiro turno e diplomava a presidente eleita Dilma Rousseff, Aécio Neves e o PSDB entravam no TSE com um pedido para cassar o registro da candidatura da presidente. Pediam mais, pediam que o TSE determinasse que Aécio assumisse a presidência.
Seus argumentos: as campanhas do PT teriam sido financiadas com dinheiro de corrupção, o que tornaria a eleição de Dilma “ilegítima”.
Em fevereiro de 2015, a ministra do TSE, Maria Thereza de Assis Moura, relatora do caso, negou o pedido e recomendou o arquivamento do processo. A ministra afirmava em sua decisão que o PSDB apresentava alegações genéricas que não davam sustentação à denúncia.
Aqui começam as artes do demônio.
Agosto de 2015, contrariando o parecer da ministra relatora, a maioria do TSE decide por manter a ação de cassação contra Dilma.
Os ministros Luiz Fux, Henrique Neves, João Otávio de Noronha e Gilmar Mendes votaram pela continuidade da ação.
Havia, por certo, mais de um grande demônio maquinando conspirações na Praça dos Três Poderes. Mas havia também pequenos diabos. E esses, em legião, 367 na Câmara dos Deputados e  55 no Senado, tomaram a frente e confundiram os cenários. O demônio-mor, no entanto, sabe como tirar proveito de todos os seu serviçais, mesmos quando eles parecem antagônicos. Principalmente então.
Pois bem, em 2016 veio o golpe, Temer, o satânico vice de Dilma, assume a presidência e o PSDB volta ao poder. A ação de Aécio tornou-se contraproducente. O pedido do PSDB voltava-se contra ele próprio.
Mas aí a roda do diabo já havia girado. E o demônio é o pai da ironia – sua filha predileta.
Março de 2017, ao colher o depoimento de diretores da Odebrecht sobre as doações para a campanha de 2014, o ministro Herman Benjamin, substituto da relatora Maria Thereza, ouve o seguinte depoimento de Benedicto Junior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura: a empresa repassou R$ 9 milhões via caixa dois ao PSDB em 2014, após pedido de doação oficial do senador Aécio Neves, presidente do partido.
Veja-se isso, quem agora é “o ilegítimo” por ter cedido aos favores da corrupção?
A roda do demônio completou seu giro, quem acusava, agora, se vê obrigado a se defender.
Restou a Aécio dizer que fumou, mas não tragou: “em nenhum momento, … o sr. Benedito afirma que eu solicitei recursos por caixa dois ou qualquer outro meio”.
Notícia seria se tivesse feito.
Gravou um vídeo para dizer tal platitude.
Dizem por aí que se o tal vídeo for passado ao contrário é possível ouvir-se as gargalhadas do demônio.
PS1: na mesma linha, Temer confirma que recebeu Marcelo Odebrecht em jantar no Palácio do Jaburu, quando Padilha teria pedido a Odebrecht dinheiro para a campanha do PMDB. Mas afirma que não estava presente no momento do pedido. Talvez tenha se ausentado para ir ao banheiro. De qualquer modo, o dinheiro chegou. E chegou de mula.

Publicado originalmente em A Oficina
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