Juros: O mistério insondável


O governo, depois de muito tempo apenas observando, decidiu agir diante da situação desfavorável à indústria nacional, provocada principalmente pela valorização do real.

A presidente da República merece os cumprimentos por ter agido, mas no conjunto as medidas parecem mais um paliativo. Têm algo de colcha de retalhos.

Há certa polêmica entre os economistas sobre as razões da supervalorização da moeda. Uns dizem que ela aconteceria de qualquer jeito, dada a inundação monetária global, promovida especialmente pelos Estados Unidos.

Contribuiria também a boa situação relativa da economia brasileira.

Mas é inegável que parte substancial dos dólares aqui aportados vêm atrás do saborosíssimo diferencial entre os juros internos e os praticados lá fora.

Mesmo quando mascarados de investimento produtivo. Pois nada impede uma empresa brasileira de especular. E depois remeter o devido lucro ao acionista.

Falta portanto um segundo passo ao governo. O passo decisivo. Atacar o problema dos juros altos.

Foi aliás o que Dilma Rousseff garantiu, antes de ocupar a cadeira, que faria.

É a pergunta sempre repetida e nunca respondida adequadamente.

Se o Brasil é das economias em melhor situação, se nosso conceito como pagadores de dívida é excelente, se temos um mercado interno saudável e que nos garantirá um longo ciclo de crescimento sustentado, por que nossos juros são os maiores do mundo?

Um mistério insolúvel.
por Alon Feurwerker

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