As penas tucanas do Comando Marrom


Resolvi recuperar a expressão “Comando Marrom”, criada por meu avô,   para  me referir a esta facção que atua organizadamente para evitar que o Brasil aprofunde as transformações políticas e econômicas que se tornaram visíveis no segundo mandato de Lula.
Enquanto o presidente era “paz e amor” e não mexia com interesses poderosos, ele era “uma simpatia”. Quando resolveu, ainda que pela via da inclusão do “povão” na vida brasileira, afrontar o modelo neocolonial, aí passou a ser um troglodita, um desclassificado, um protoditador.
O  Comando Marrom está homiziado em seus belos escritórios, com os recursos acumulados no tráfico de influência, mas não pode sair à luz do dia. No máximo, vão a seminários caros, contratando alguns exibicionistas para serem arroz de festa, para discutir os “Objetivos do Millenium” que, hoje, se resumem à desesperada tentativa de ganhar as eleições.
Mas aqueles jornalistas que trocaram o campo raso das redações pela condição de “estrelas” do news-business, salvo raras e honrosas exceções,  partiram com força total para usar seu “grande prestígio” popular para virar o jogo que parece perdido para a direita.
Sábado, o colunista Merval Pereira – o mais rebuscado deles, um lorde a cofiar seus  bigodes – acusou o presidente Lula de estar pressionando o Judiciário, ao falar em público das multas que recebeu por dizer que Dilma é sua candidata. Ele só pode dizer isso em voz baixa, nas entrevistas, para que o povão fique sabendo logo, mas apenas na velocidade em que os donos da mídia o desejarem. O senhor Merval pôde insinuar nos jornais e na televisão que o presidente era praticamente um homicida, pela responsabilidade que teria no acidente da TAM e pode dizer o que quiser nas câmaras e microfones de uma concessão pública. Acha, porém, que a um presidente, cabe o silêncio.
Veio junto a indefectível Miriam Leitão, que já não tem o verniz aristocrático de seu colega e prefere banhar-se com uma auto-importância diariamente  se concede. Diz que “o presidente Lula não gosta de nós. Que boa notícia.” E discorre sobre como a imprensa é livre, imparcial, independente e ali, na sua pureza de princípios, está  fazendo o papel de “fiscal do povo”.
Gostaria de informar à ilustre jornalista que tal independência foi negada por sua chefe, a  presidente da Associação Nacional dos Jornais, Maria Judith Brito, que disse, literalmente, na semana passada, em O Globo que os  “(…) meios de comunicação estão fazendo, de fato, a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”
Portanto, é natural que o presidente que sofre essa oposição trasladada dos partidos para a mídia trate-a como o que ela própria declara ser: oposição. O que nada tem a ver com tratar mal os jornalistas que, ao contrário de Merval e Leitão,  esticam pacientemente seus microfones e fazem perguntas para obter respostas.
É do jogo político criticar e ser criticado. E também do jogo da comunicação, como eu próprio experimento aqui neste blog.
Mas não são reações autônomas, espontâneas. É uma ofensiva coordenada, à qual se integrou até o simpático Ricardo Noblat. Hoje, em sua coluna, ele perde as estribeiras: “Lula é um governante populista e autoritário. Esse tipo de gente prefere uma imprensa servil.”
Parece o Tasso Jereissati falando, cruzes.
Em matéria de perseguição à imprensa, que tal falar um pouco de outro político que, em lugar da polêmica pública, costuma levantar o telefone e “pedir cabeças” de jornalistas que incomodam? Ou de plantar notas, boatos e e outros expedientes sórdidos contra adversários e até correligionários?

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