A. Capibarine Neto: a hora do nunca mais


Mensagens, cartas, bilhetes, cartões, confissões sussurradas, ao pé do ouvido, de pé, no colo, na cama, são testemunhas, provas impossíveis de recusar ou refutar quando contam a história de um relacionamento. Não importa se acabou. Tudo acaba mesmo. Nada é eterno, nada dura para sempre.

Nem mesmo as fotografias, desde as primeiras com as primeiras confissões de loucuras que fazem a vida valer a pena. Um dia, por uma razão ou por outra, uma paixão ou um amor chega ao seu fim. Nada é eterno, repito.

Na casinha velha, agora vazia, por onde já não se escuta o arrastar das correntes dos velhos fantasmas de tantas festas, as paredes perderam a graça e as cores. Os pregos não sustentam mais as molduras que contaram histórias e foram testemunhas das molecagens abençoadas dos amantes.

A casinha velha, abandonada, sem ninguém, deixou que a saudade seguisse seu caminho e as feridas cicatrizaram.

Mesmo o que cata com cuidado uma agulha num palheiro enorme, feito de um passado longo que só durou porque ninguém vive tanto tempo apenas insistindo em consertar o mundo, curar desconfianças, mudar pessoas por nada. Sempre existe um motivo: a felicidade e se não foi a felicidade que custou caro, mas foi importante para quem conjugou um verbo especial na primeira pessoa do plural, foi burrice e burrice não pode ser desculpa para pessoas inteligentes.

Teimosia, no máximo! Mas ninguém é teimoso de graça. E quando se encontra a agulha e pensa que a busca chegou ao fim, sente uma picada no pé e se dá conta de que ela escondia uma mensagem oportuna para satisfazer a vontade de um arrependimento pelo tempo perdido, mas tempo perdido precisa ser par.

Nunca é simples e confortavelmente singular. Nunca ninguém faz cobranças carinhosas, insistentes, diárias e repetidas do tipo "está na hora do abracinho..." e abre os braços, e abraça e beija, e depois beija de novo, no dia seguinte, por muitos dias, por muito tempo, para depois alegar apenas lembranças tristes.

O envelope debaixo da agulha gritou restos de verdades felizes e mostrou imagens que, a bem da verdade, não servem mais para absolutamente nada, mas não deixam de ser a melhor evidência de que o oportunismo de um novo contexto é exatamente igual como em todas as outras histórias, todo tempo, em todo o mundo, porque é dessa forma que caminha a humanidade e a fila anda.

O marquês, por exemplo, foi atleta, foi forte, foi ousado, importante, querido e aí, sem culpa que lhe caiba, envelheceu demais, ficou egoísta, enjoado, chato, e esqueceu de segurar com as forças que lhe restasse, a mulher maravilhosa que lhe fez companhia.

O marquês é apenas um exemplo avulso, faz parte de uma história, do outro lado do mundo.

A diferença é que o marquês tem um castelo cheio de fantasmas solitários e um dia, faz bem pouco, o marquês empertigado fez a sua última pose, trancou-se no seu quarto de paredes grossas e, sozinho, chorou.

Todo mundo um dia chora por um amor perdido. E a hora do "abracinho" pode não existir mais porque o relógio quebrou, não tem conserto, ou simplesmente parou, mas as horas continuam catando seus segundos tempo afora.

A hora do "abracinho" existe, com outros abraços, com outro nome e haverá de valer a pena porque um dia a gente sabe que pode se cuidar sozinho sem aquele "abracinho" com hora e tal.

Paulo Coelho: O conto


Nixivan havia reunido seus amigos para jantar, e estava cozinhando um suculento pedaço de carne. De repente, percebeu que o sal havia terminado. 

Nixivan chamou o seu filho:
– Vai até a aldeia, e compre o sal. Mas pague um preço justo por ele: nem mais caro, nem mais barato. 
O filho ficou surpreso:
– Compreendo que não deva pagar mais caro, papai. Mas, se puder barganhar um pouco, por que não economizar algum dinheiro?
– Numa cidade grande, isto é aconselhável. Mas, numa cidade pequena como a nossa, toda a aldeia perecerá. Quando os convidados, que tinham assistido a conversa, quiseram saber porque não se devia comprar o sal mais barato, Nixivan respondeu:
– Quem vender o sal abaixo do preço, deve estar agindo assim porque precisa desesperadamente de dinheiro. Quem se aproveitar desta situação, estará mostrando desrespeito pelo suor e pela luta de um homem que trabalhou para produzir algo. 
– Mas isso é muito pouco para que uma aldeia seja destruída.
– Também, no início do mundo, a injustiça era pequena. Mas cada um que veio depois terminou acrescentando algo, sempre achando que não tinha muita importância, e vejam onde terminamos chegando hoje.

Gosto

Gosto de um abraço inesperado, de um beijo na testa depois de um beijo na boca, andar de mãos dadas, mordidas na bochecha só pra irritar. Presente em dias comuns, uma simples SMS de "bom dia amor, acordou bem?". Odeio lugares e horas marcadas, sou fã do "deixa acontecer". Gosto de ficar horas no telefone, gosto do "desliga amor, a não, desliga você primeiro". É clichê, eu sei, mas vejo como um clichê bom. Sabe, vejo tantos casais por ai que moram perto um do outro, mas não convivem bem. Não ligo pra distância quando sei que é pra algo que valerá a pena. Não sei se esse é o jeito certo ou errado de gostar.

A melhor maneira de calar uma mulher

Te digo como começar


Primeiro me enlouqueça com teu olhar, depois me beije como nunca.

Me acaricie sem parar
me diga coisas que me façam vibrar.

Encontre em mim a mulher escondida
Me sinto por ti perdida me levando assim até o céu.

Serei o que tu me peças agora minha fantasia é tu,
continues fazendo de mim, somente tua.

Fala o que quer, escuta o que não quer

Um elefante perguntou a um camelo:
- Por que tuas bolas ficam nas tuas costas?

O camelo respondeu:
- Me admiro uma pessoa que tem o pinto na cara fazer uma pergunta imbecil dessa.

Ah, se cada um cuidasse somente da própria vida.

Sete realidades da vida