O judiciário a mercê do justiceiro de Curitiba

No vai-e-vem do depoimento de Lula a Moro em Curitiba, o justiceiro faz da Justiça instrumento de sua conveniência política, por Carlos Fernandes 
O juiz Sérgio Moro avalia adiar o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato marcado para o próximo dia 3.
O motivo oficialmente alegado é algo que já poderia ser enquadrado em algum ponto entre a conveniência política e a artimanha jurídica propriamente dita.
A mudança, segundo o enredo armado, poderá ser realizada em função de pedidos protocolados tanto pela Secretaria de Segurança Pública do estado do Paraná quanto pela Polícia Federal que alegam, ambos, precisarem de mais tempo para garantirem a segurança do local.
Ainda segundo os argumentos apresentados, o feriado de 1º de maio dificultaria ainda mais o aparato da operação.
A “preocupação” dos agentes estaduais e federais estaria voltada para a mobilização dos milhares de brasileiros dispostos a “invadir” a capital paranaense em defesa de Lula e contra todas as arbitrariedades imagináveis já praticadas pelo comando da operação Lava Jato.
A cena em si já poderia ser considerada uma farsa escandalosa considerando-se apenas o discurso de que após meses de marcada a audiência, as autoridades competentes para promoverem a segurança simplesmente não tiveram tempo para se organizarem.
Mas, como diria William Shakespeare, há algo de podre no reino de Curitiba. A coisa é tão rebuscada que precisamos ir por partes.
Sobre as solicitações da SSP/PR e PF, seria apenas risível se não estivéssemos diante de um flagrante caso em que um juiz arroga para si as atribuições e responsabilidades por operações exclusivamente policiais.
Acreditar que essa história não possua uma providencial tabelinha entre Moro, a cúpula da PF e a Secretaria de Estado do Paraná em prol de um objetivo comum, é acreditar que a justiça brasileira é célere, justa e imparcial.
Originalmente publicado no Diário do Centro do Mundo

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