Criança faz cada uma

Tempos atrás o jornalista e dramaturgo Pedro Bloch tinha uma página na revista Manchete com o título acima. Contava histórias engraçadas e inusitadas acontecidas com crianças que passavam pelo seu consultório.
Outro dia achei uma revista dos anos 60 e me diverti muito com o Bloch. E me lembrei de histórias recentes com filhos ou filhas de amigos meus que, tenho certeza, o velho jornalista não titubearia em mancheta-las.
O protagonista da primeira delas é o Antonio, filho da velha amiga Maria Emília Bender, digníssima editora da Companhia das Letras e o grande italiano Lorenzo, ilustre professor de música na Universidade de São Paulo.
Antonio, seis ou sete anos, tinha o aniversário de um amigo, o Bruno, lá num daqueles bufês no Itaim. Festa das seis às nove da noite. O pai Lorenzo, conhecido por suas distrações cá no Brasil, ficou de levar o garoto ao tal bufê. Depois iria pegar a Emília, iriam a um cinema e voltariam para buscar o menino.
E assim foi feito. Lorenzo deixou Antonio no bufê, pegou a esposa e foram para o cinema. Nove da noite, conforme o combinado, foram buscar o pimpolho. Tocaram a companhia, veio o menino.
Já no carro:
– Tava boa a festa do Bruno, filho?
– A festa tava boa, só que você errou de bufê, pai! Era aniversário de uma menina que eu nunca tinha visto na vida. Mas foi legal. Ajudei até o mágico. O nome dela é Andréa.
A segunda história é da

Estadão: clã Bolsonaro tem muito a explicar

Hoje domingo (27) de  Janeiro, O jornal Estado de S.Paulo (Estadão) divulgou opinião oficial da empresa sobre os fatos da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro. No artigo intitulado "Muito a explicar", o editorial destaca que o presidente Jair Messias Bolsonaro perdeu o bom senso ao usar uma recente entrevista à TV Record para afirmar não ser "justo atingir um garoto, fazer o que estão fazendo com ele, para tentar me atingir".
 
O garoto em questão é o seu filho mais velho Flávio Bolsonaro. O senador eleito pelo PSL do Rio de Janeiro tem 37 anos. Durante seu mandato como deputado estadual, manteve como seu motorista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) o ex-policial Fabrício Queiroz. Uma movimentação de R$ 1,2 milhão em apenas um ano na conta de Queiroz chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf), deflagrando o escândalo.
 
O desenrolar da história foi piorando o lado da família Bolsonaro. O Coaf constatou que Queiroz recebia, periodicamente, em uma conta bancária sua depósitos de outros funcionários de Flávio Bolsonaro na Alerj. "Praticava-se o chamado "rachid" - nome do esquema em que os funcionários a serviço de parlamentares lhes devolvem parte do salário que recebem", pontua o editorial do Estadão ao destacar que não se trata apenas de indícios de que no gabinete de Flávio acontecia a prática de um esquema ilegal.
 
O jornal, lembra, ainda que Queiroz fez um depósito na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro e, mais grave, Flávio contratou para trabalhar em seu gabinete a mulher e a mãe de Adriano da Nóbrega, chefe do chamado "Escritório do Crime"e um dos líderes da milícia de Rio das Pedras, a mais antiga e perigosa do Rio. O grupo começou a ser desmantelado na última semana, com a operação Os Intocáveis, liderada pela Polícia Federal e Ministério Público do Rio de Janeiro.
 
"Em nota, o agora senador eleito, depois de se dizer "vítima de uma campanha difamatória com o objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro", afirmou que as duas funcionárias foram contratadas "por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz". Ou seja, Queiroz, que até aqui se apresentou como um modesto motorista, tinha poder para indicar funcionários no gabinete de Flávio Bolsonaro", anota o Estadão.
 
Para o jornal, a mais recente ligação com uma das mais "terríveis milícias do Rio" só aumenta a potência do "escândalo da clã Bolsonaro". 
 
"Quando deputado estadual, Flávio disse que as milícias se dedicam a "expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos" e que "há uma série de benefícios nisso". Uma fronteira bastante delicada parece ter sido cruzada, e espera-se que o presidente Bolsonaro e seu filho Flávio afinal deem as explicações que a sociedade, apreensiva, aguarda". Para ler na  íntegra, clique aqui. 

Ateu, não: agnóstico


- Te dou quinhentos reais se tu souber o que quer dizer esta palavra.

- Ora, pra começo de conversa tu num tem quinhentos reais. Tô falando sério e te vem com molecagem. Acho que Deus é uma coisa, padre, pastor, monje outra. O ranço, o cheiro de mofo das igrejas me embrulham o estomago, dá nojo. tenho horror ao bafo clerical dos confessionários! O bem que a confissão pode nos fazer é o de uma catarse, um extravasamento, que a psicanálise também faz, e com mais sucesso. Estou mesmo com vontade de me especializar em psiquiatria.


- Só mesmo um doido te procuraria. Maur não pôde deixar de rir. Eduardo acrescentou:

- Você vai ter de se curar para depois curar os outros.

- É isso mesmo - concordo o outro, sério - Estou exatamente preocupado com o meu próprio caso. Já iniciei o que eu chamo de "a minha libertação".

- E o que eu chamo de "a sua imbecilização".

- Vista pela sua, que já é completa. O que eu chamo de libertação é a possibilidade de me afirmar integralmente, como homem. O homem é que interessa. Se Deus existe, posso vir a me entender com ele, mas há de ser de homem para homem.


Fernando Sabino - cronistas, escritor, jornalista e cineasta brasileiro. Nasceu em Mnas Gerais em 14 de outubro de 1923 e faleceu no Rio de Janeiro em 11 de outubro de 2004

Vida que segue...

Janio de Freitas: está no ar

Excluído do Exército, sob ponderações no Superior Tribunal Militar que puseram em dúvida até seu equilíbrio mental, Bolsonaro ficou à distância de sua classe por muito tempo. Embora refletindo-a nas opiniões e, proveito também eleitoral, nas reivindicações.

A perspectiva da candidatura à Presidência mudou sua relação com o passado. Por utilitarismo, sem dúvida, Bolsonaro empenhou-se em ser dado como capitão, representante legítimo de todas as idiossincrasias e da radicalidade conservadora, anticultural e patrioteira da caserna. O candidato identificado com as Forças Armadas.

Os comandos do Exército aceitaram o risco dessa identificação, apesar da preocupação até revelada. Os da reserva, categoria em que as pretensões de superioridade e os sectarismos podem se mostrar mais, regozijaram-se com a atitude de Bolsonaro. 

O então comandante do Exército, general Villas Bôas, que se reconhecera como um dos preocupados, formalizou a aceitação do risco, aparentando dá-lo por extinto.

Em duas semanas após a posse, a preocupação voltou a muitos. Pelo avesso, porém. Como preocupação com a possibilidade de identificação, aos olhares internos e sobretudo externos, dos militares e seus generais com Bolsonaro, suas ideias irrealistas e o círculo familiar-religioso insustentável.

Desde a terceira semana, o lento desenrolar do caso Flávio Bolsonaro e seus tentáculos até o próprio Bolsonaro tiveram a contribuição do vexame no Fórum Econômico Mundial para agravar o estado de coisas. Se cá fora, sem comprometimento com a situação, seus possíveis desdobramentos causam inquietações, é fácil imaginar o que se passa com a maioria dos generais, inclusive como contribuintes da identificação militar com o novo e caótico poder.

Nos últimos dias, as interpretações, análises, deduções, dos mais diversos calibres, povoaram as mentes e conversas dos próximos e dos mais atentos às várias movimentações no poder e arredores.

Admitidas exceções, entre os generais do governo militarizado e Jair Bolsonaro o ar já não é o mesmo.

Apesar do esforço, a poluição é perceptível.

Ainda não se conhece poluição que não deixe consequências.

Mensagem da manhã


O celular já substitui:

  • Rádio
  • Relógio
  • Televisor
  • Computador
  • Câmara fotográfica etc

Cuidado para não deixar ele substituir a tua família, a vitima será você.

Vida que segue...

Surpreendente


Quando a gente chega num boteco de quinta, o papudinho pede para gente pagar uma e nos paga a pinga com um show


Mensagem da madrugada


Mensagem do Meu Anjo - Cicatrizante do tempo

A persistência da memória



O tempo é o maior reparador de erros, cicatrizante de feridas sejam elas novas ou antigas. 
O tempo vai levando dores e aliviando o peso das mágoas. 
Segue seu curso com a normalidade dos dias, que para os aflitos parece não ter fim, e para os apaixonados, ele voa, acaba muito rápido. 
Se você está vivendo um momento de dor, seja pelo luto sofrido, pelo romance rompido, pelo emprego perdido, pelo amigo fingido, seja pelo que for, não tome decisões repentinas. 
Nem culpe o tempo pelo seu infortúnio. Ele apenas segue a sua jornada, sem escolher em qual morada, irá se fixar, demorar ou voar... 
Antes, deixe os dias passarem. 
Espere as lágrimas secarem. 
Não diga nunca mais, nem jamais. 
Nunca mais é muito tempo, jamais é fruto do seu ressentimento. 
Para tudo, o tempo é sábio conselheiro, você dorme no mar agitado e acorda sonhando em um veleiro. 
O tempo não manda sinais, não faz barulho pela manhã, e nem se esconde na noite escura. 
Simplesmente reveste a vida com fina armadura, despindo a verdade, que aparece assim, nua e crua.

Paulo Roberto Gaefke

Vida que segue...