Mensagem da noite

Se não sabe, aprenda. Se sabe, ensine!
Confúcio
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Entre lágrimas e urina

Incidente que motivou Hélio Pellegrino a dedicar-se a medicina psiquiátrica...

"...Lembro-me de uma aula de fisiologia nervosa, no segundo ano. O doente, com tabes dorsal, ao centro do anfiteatro escolar, era um velhinho miúdo, ex-marinheiro, vestido com o uniforme da Santa Casa, onde estava internado. Suas pernas, hipotônicas, atrofiadas, pendiam da mesa de exame como molambos inertes. Jamais me sairá da memória o antigo lobo-do-mar, exilado das vastidões marítimas, feito coisa, diante de nós. Suas andanças pelo mundo, seus amores em cada porto ficavam reduzidos, em termo de anamnese, a um contágio venéreo ocorrido décadas atrás. O velhinho, contrafeito, engrolava o seu depoimento, fustigado pelos gritos de — "fala mais alto!" —com que buscávamos saciar nosso zelo científico. De repente, o desastre. Sem controle esfincteriano, o velho urinou-se na roupa, em pleno centro do mundo. Vejo-o, pequenino, curvado para a frente, tentando esconder com as mãos a umidade ultrajante. Seu pudor, entretanto, nada tinha a ver com a ciência neurológica. Esta lavrara um tento de gala, e o sintoma foi saudado com ruidosa alegria, como um goal decisivo na partida que ali se travava contra a sífilis nervosa.

O velho ficou esquecido como um atropelado na noite. A aula prosseguiu, brilhantemente ilustrada. Os reflexos e a sensibilidade cutânea do paciente foram pesquisado com maestria. Agulhas e martelos tocavam sua carne — esta carne revestida de infinita dignidade, que um dia ressurgirá na Hora do Juízo. Meu colega Elói Lima percebeu, juntamente comigo, o acontecimento espantoso. "O marinheiro está chorando" — me disse. Fomos três a chorar.

Entre lágrima e urina, nasceu-me o desejo de me dedicar à psiquiatria. O choro do velho, seu desamparo, sua figura engrouvinhada sobre a qual parecia ter-se abatido todo o inverno do mundo, tudo me surgiu de repente como o grande tema de meditação, a partir de cuja importância poderia eu, quem sabe, encontrar um caminho. ...".

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Sigilo de justiça para que?

Um cidadão ser absolvido num julgamento privado...é suspeito. 

Um cidadão ser absolvido num julgamento privado...é suspeito. 

Então para que, por que segredo de justiça e julgamentos privados?

A quem beneficia esta anomalia ?
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As aparências enganam

Lembre-se disto sempre que o óbvio esteja presente
 


[...] ou como dizia Tiváva: Cada doido uma mania.

Por alguma razão o ser humano, depois que nasce, dependendo do contexto em que vive, em que foi criado, adquire, muitas vezes sem se dar conta, medos e fobias. Muitos desses medos não passam de frescura, de falta do que fazer, mas alguns até se justificam em razão de passagens da vida, coisas específicas, como traumas, por exemplo. Agorafobia, por exemplo, não é medo do agora, mas medo de estar em lugares abertos, de multidão, já a ablutofobia é medo de tomar banho. Agirofobia é medo de cruzamento de ruas, vê se pode? Afefobia é medo de afeto. Dá para imaginar que existe até o medo de gelo. Uma pessoa assim não pode encarar uma cerveja estupidamente gelada, imagino. Pode parecer engraçado, mas só por curiosidade, fui pesquisar sobre medos e fobias e elas existem aos montes, de A a Z e são centenas. Tirante o lado engraçado, os medos nos acompanham a partir do momento em que tomamos conhecimento dos limites, dos perigos, do tamanho dos desafios e, principalmente do desconhecido. Medo de altura, de lugares escuros, de elevador, de andar de avião, do mar, é medo que não acaba, mas existem os medos que não se justificam, como o medo de amar, principalmente se não tiver a certeza da correspondência. A vida é única, é passageira, e pode-se dizer que chega a ser muito breve. Vi a reportagem sobre o homem que falava no MSN com a esposa e de repente a comunicação foi cortada e ele talvez tenha creditado o fato às nossas operadoras de telefonia voltada para a internet. Desta vez não foi. Antes tivesse sido. A vida da esposa desse homem acabou justo na fração de segundo em que o edifício onde ela estava desmoronou sobre ela e mais de uma dezena de pessoas que tiveram suas vidas interrompidas. Quantas pessoas agora não começaram a desenvolver medo de entrar em prédios velhos ou ficar trabalhando em edifícios altos até tarde? A verdade é que os medos estão à nossa volta, esperando para nos atingir como uma picada de cobra e o veneno se espalha dentro da gente, muitas vezes para o resto da vida. Para a maioria dessas fobias existe cura. Para o medo do toque, talvez a cura seja um abraço carinhoso, de preferência perfumado; para o medo de amar, a cura pode estar na ousadia para enfrentar o desafio, para não ligar para nada nem pra ninguém e aceitar os riscos de descobrir o que vai acontecer depois do primeiro passo. A vida não pode ser adiada e não se deve deixar para amanhã qualquer chance se ser feliz, nem que por um momento. O mundo precisa de alguns medos, é verdade, mas por enquanto sobra coragem para muito cabra safado, sem nenhuma vergonha na cara, como o JOSÉ MARIA MARIN, vice-presidente da CBF e ex-vice- prefeito de São Paulo. Sem medo de nada, nem do flagrante explícito, nem de vizinhos, nem de ser preso, nem do público, nem da ira dos atletas que se fizeram merecedores da comenda surrupiada em público. José Maria Marin não tem medo de ser ladrão. No contexto em que está inserido, pode ser considerado um homem de coragem. Medo de morrer tem lá a sua explicação, medo de perder o emprego também, de ser enganado pela mulher ou vice-e-versa, tudo bem, mas medo de ser feliz? De ousar, de se atrever? De sair na chuva? De um abraço apertado, um beijo demorado? Faça-me o favor!
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O outro lado da moeda

Como podemos usar as palavras [ com uma diferençazinha ] para igualar os pratos da balança. O pau que dá em xico dá em Francisco.
Mesmo ainda imberbe, tive a intuição de evitar relação mais estreita com jornalistas, apenas procurei tratá-los cordialmente como recomenda a boa educação doméstica. E o que era intuição acabou se transformando em constatação: jornalista nenhum é sinceramente amigo da Fonte. Ele usa a fonte que se deixa usar, compra o que se permite corromper, porém amizade verdadeira, de mesmo, não existe. E dessa forma venho me mantendo, guardando sempre a distância regulamentar, com a convicção de que, sobretudo neste tocante, estou no caminho certo.
o que o Neno escreveu táqui compare, tire suas conclusões. 
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O xerox e o scanner são mais antigos do que se pensava.

Especulações de Luis Fernando Veríssimo?...


Descobriram, na Espanha, uma cópia idêntica da Mona Lisa do Leonardo da Vinci. O que provocou várias especulações:

1 — O xerox e o scanner são mais antigos do que se pensava.
2 — O autor da pintura foi o próprio Da Vinci, que fez várias cópias da sua Gioconda para vender no mercado paralelo.
3 — O autor foi um discípulo de Da Vinci que copiou a obra do mestre.
A última hipótese é a mais provável, mas as especulações não ficarão por aí. O fascinante em descobertas como esta é que, como é impossível saber exatamente o que aconteceu há séculos, tudo é especulação e a imaginação se solta. A pintura revelada agora tem seus mistérios. A Mona Lisa copiada parece mais jovem do que a original.  Seu sorriso é mais inocente do que enigmático — é o de uma Mona Lisa antes de saber das coisas da vida.
Um fundo preto que distinguia a cópia do original foi retirado e apareceu um fundo igual ao pintado por Da Vinci. Por 
que o discípulo teria camuflado a paisagem toscana do mestre? Outros discípulos fizeram cópias parecidas, e que fim estas levaram?

A imaginação se solta. No seu livro “A mouthful of air”, Anthony Burgess lembra uma tese, ou uma lenda, que se espalhou sobre a feitura da versão inglesa da Bíblia encomendada pelo rei James I e publicada em 1611. O rei convocou um time de quarenta e sete tradutores do grego e do hebraico, alguns para traduzir o Velho Testamento, outros para traduzir o Novo, alguns para as partes proféticas e outros para as partes poéticas.
E, segundo a lenda, provas das escrituras poéticas teriam sido distribuídas entre os poetas profissionais da época para darem uma polida no texto, desde que não desvirtuassem a tradução. O que explicaria a presença do nome de Shakespeare no Salmo 46 — “shake” a 46 palavra a contar do princípio, “speare” a 46 palavra a contar do fim.
Segundo Burgess, sem nenhuma esperança de ter algum tipo de posteridade com seus versos, o poeta teria ao menos deixado seu nome, mesmo cifrado, numa obra histórica. Mas o próprio Burgess não acreditava na lenda.
O passado, já disse alguém, é uma terra estranha. Só se pode conhecê-lo pela especulação e visitá-lo pela imaginação. E se a Mona Lisa da Espanha for a verdadeira e a do Louvre uma cópia? Como a presença ou não do Shakespeare entre os tradutores dos salmos, jamais saberemos.

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