Luiz Carlos Azenha: mais duradouro que o New Deal


No ano passado o historiador Perry Anderson publicou um ensaio sobre Lula na London Review of Books(íntegra em inglês, aqui). Tirando um ou outro erro factual (por exemplo, quando diz que Dilma implantaria um sistema nacional de saúde), o artigo trouxe à tona, lá fora, um debate recorrente dentro da esquerda brasileira, aquele sobre o lulismo.

Um debate sempre atual, especialmente quando a persistente crise financeira internacional e suas consequências no Brasil colocam em jogo a sobrevivência de longo prazo do projeto iniciado pelo ex-presidente Lula. Ou não?

O debate, aliás, desperta várias questões.

O lulismo no poder, representado agora por Dilma, dispõe dos instrumentos necessários para a retomada do crescimento econômico nos níveis que garantam sua sustentabilidade de longo prazo, independentemente do que aconteça lá fora? Ainda que disponha destes instrumentos, não está amarrado ao mínimo denominador comum exigido pela famosa governabilidade? O PT vai entregar aos parceiros mais conservadores, que buscam retomar os níveis de lucratividade pré-crise e estão plenamente representados dentro do governo, a “flexibilização” das leis trabalhistas, ou seja, a precarização ainda maior das condições de trabalho? É isso o que explica a busca de Dilma pela classe média, que reunida ao sub-proletariado lulista poderia facilitar o descarte dos movimentos sociais organizados que insistem na integralidade da CLT?

Há outras considerações a fazer, não relacionadas ao texto, quando falamos do futuro papel do Brasil na dinâmica do capitalismo globalizado: o que o país fará quando amadurecerem os projetos já em andamento em vários países da África (por exemplo, na Etiópia e em Moçambique) para incorporar grandes extensões de terra, muito mais próximas da China, ao agronegócio? E quando o minério de ferro de Carajás estiver próximo de se exaurir (segundo o jornalista Lúcio Flávio Pinto, no ritmo atual das exportações vai acontecer antes que o previsto)?

Repórter Carlos Dorneles move ação contra a Globo

Quantos repórteres e jornalistas estão nesta mesma situação hoje na Globo?...
Uma ação de R$ 1,1 milhão do repórter Carlos Dorneles contra a Globo 

O gaúcho Carlos Dorneles, ex-repórter da Rede Globo, é autor de uma reclamatória trabalhista de vulto contra a  Globo Comunicações e Participações. Contratado como pessoa jurídica, Dorneles busca o reconhecimento do pacto laboral com subordinação e, em decorrência, várias parcelas, entre as quais o recolhimento das verbas previdenciárias, o recolhimento do FGTS, 13º salário e parcelas indenizatórias. Leia mais>>>

A pimenta e o rabo

Sr(a) síndica:
Boa noite!

Desculpe-me por este bilhete debaixo da porta de seu apartamento, mas trabalho na siderúrgica em horário noturno, e quando estou em casa estou descansando. Ou tentando descansar. E a senhora, por seu lado, está no seu trabalho. Sou o novo morador do 301, e gostaria de saber se é permitido aos moradores do edifício terem animais em seus apartamentos. Nada (ou quase nada) contra, mas é que no apartamento de cima tem um poodle que late sem parar o dia inteiro, e não me deixa dormir. Obrigado. Josef Leão. 


Sr. Leão:
Bom dia!
Antes de tudo, seja bem-vindo. Nosso condomínio é pequeno (totalizamos apenas uma dúzia de apartamentos) mas somos compreensivos e tolerantes. Do contrário, já teríamos deflagrado a Terceira Guerra Mundial, o senhor não acha? Desculpe a brincadeira e (também) este bilhete-resposta debaixo de sua porta. Os animais – particularmente os cães – são nossos companheiros e nossos amigos dedicados. Sua presença, como o senhor deve saber, traz ao ser humano benefícios que, em alguns casos, nem a medicina consegue. Por isso a assembléia acaba de decidir pela permissão, a cada morador, para que mantenha um animal de pequeno porte em sua casa. A medida me deixou particularmente feliz, pois sou diretora da Associação Diogo Moedinha de Proteção aos Animais – uma instituição recém-fundada com o apoio de algumas amigas. Atenciosamente, Elvyran Coelho – Síndica. Leia Mais>>>


Tem dias que...

Marineiros discutem fim do partido que ainda sequer foi criado


Seguidores da ex-senadora Marina Silva (foto abaixo), que teve 20 milhões de votos na disputa pela Presidência da República em 2010, começaram a mobilização para lançar um novo partido político no mês que vem.
Em fóruns de discussão na internet, abrigados no “Coletivo Pró-Partido”, eles debatem um nome para a sigla, um programa partidário, critérios para filiação e organização da coleta de assinaturas para tentar viabilizar a legenda.
Também já começaram as discussões sobre o estatuto. Os marineiros tentam aprender com os erros do PT, de onde boa parte deles é proveniente, inclusive a própria Marina, e criar uma sigla que se diferencie da forma tradicional de fazer política.



Desemprego de 4,4% É o que joga água na fogueira dos Urubólogos: desemprego cai e a renda sobe !

Publicado hoje 16/01/2013 no IG
NOVO ÍNDICE “TEMPO REAL” DA FIPE CALCULA DESEMPREGO DE DEZEMBRO EM 4,4%


A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas calcula que o desemprego no País tenha caído a 4,4% em dezembro, ante 5,2% em novembro . O dado oficial ainda será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas a Fipe passará a produzir dados antecipados sobre o mercado de trabalho, de forma inédita no Brasil, conforme o iG adiantou na segunda-feira (14) .

O método da Fipe, chamado em outros países de “nowcasting” (em oposição a “forecasting”, ou previsão), usa o banco de dados da Catho, empresa que reúne mais de 300 mil anúncio de vagas e 300 mil currículos na internet, como base para os cálculos. Além disso, utiliza informações de buscas na web sobre termos como seguro desemprego, FGTS e outros relacionados ao tema. 
Para o amigo navegante ter uma ideia da importância dos 4,4% da FIPE, ver o que aconteceu em novembro do ano passado, agora segundo o IBGE:

EM NOVEMBRO, DESOCUPAÇÃO FOI DE 4,9%


A taxa de desocupação foi estimada em 4,9%, a menor para o mês de novembro desde o início da série (março de 2002) e a segunda menor de toda a série (a menor foi de 4,7% em dezembro de 2011). A taxa registrou queda de -0,4 ponto percentual frente a outubro de 2012 (5,3%) e manteve-se estável em comparação com novembro do ano passado (5,2%). A população desocupada (1,2 milhão de pessoas) caiu -8,0% no confronto com outubro (menos 106 mil pessoas procurando trabalho) e ficou estável frente a novembro do ano passado. A população ocupada (23,5 milhões) ficou estável em comparação a outubro. No confronto com novembro de 2011, ocorreu aumento de 2,8% nessa estimativa (mais 634 mil ocupados). O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,4 milhões) não registrou variação na comparação com outubro. Na comparação anual, houve uma elevação de 2,5%, representando um adicional de 278 mil postos de trabalho com carteira assinada.

O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.809,60, o valor mais alto da série iniciada em março de 2002) apresentou alta de 0,8% na comparação mensal e de 5,3% frente a novembro do ano passado. A massa de rendimento real habitual (R$ 42,8 bilhões) apresentou alta de 1,0% em relação a outubro e cresceu 8,3% em relação a novembro de 2011. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 42,8 bilhões), estimada em outubro de 2012, subiu 0,9% no mês e 8,7% no ano.

Carlos Chagas: cabritos na sucessão


 É conhecida a história daquele caboclo  que, estando o fazendeiro de viagem, botou um cabrito nos ombros e ia atravessando a porteira, já pensando no lauto jantar, quando viu-se surpreendido pelo dono da terra. Interpelado sobre o óbvio roubo do animal, respondeu angelicalmente: 

                                                        
No Brasil, hoje, tem gente demais carregando cabritos. O governador Eduardo Campos, depois de novo encontro com a presidente Dilma, declarou aos jornalistas que nem de longe cuidaram da sucessão de  2014 e que ele não será candidato, por apoiar a reeleição da presidente. Ela,  em entrevista no final do ano, perguntada sobre seus planos para um segundo mandato,  cortou a conversa dizendo nem cogitar do assunto. Já o ex-presidente Lula rebate a questão como zagueiro de time de várzea, acentuando que a vez é de Dilma. Michel Temer, vice-presidente, renova juras de amor ao PT e prepara seu partido, o PMDB, para as  eleições de 2018. Do outro lado, Aécio Neves desconversa e adia seu périplo pelo país para mais tarde. Geraldo Alckmin sustenta que é cedo para definições. A própria Marina Silva fala em montar um partido, primeiro.
                                                        
Aqui para nós, estão todos com cabritos no ombro, já tendo atravessado a porteira faz tempo. O fazendeiro, no caso, somos todos nós, que ao cobrarmos o domínio do fato, ouvimos palavras de surpresa, até de  indignação.  Só que os cabritos estão  sendo levados, indagando-se apenas qual deles dará o melhor jantar.